sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Sonhar
domingo, 18 de outubro de 2009
São Longuinho
sábado, 19 de setembro de 2009
Sabe aqueles dias em que tudo dá certo...
Algum tempo depois, acorda, olha pela janela, olha para o corredor que estava cheio. Tenta por a cabeça fora da janela para olhar a linha, não consegue. Mas pela paisagem do lado de fora... confirmado. Pegara o ônibus errado.
– MALDIÇÃO – gritou desesperado sem saber onde estava.
Agora mais pessoas sabiam da besteira que tinha feito. Mas não tinha tempo para sentir vergonha. Tinha que sair o mais rápido possível daquele ônibus. Olhou para o corredor. Cheio. Olhou pelas janelas, árvores para todo lado. Que lugar é esse? Que merda de ônibus é esse? – Ficava se perguntando.
Como se isso fosse de alguma utilidade. Ele precisava sair, mas não fazia ideia de onde estava. Não conhecia o lugar onde estava passando. Parecia a BR, não era o centro nem era perto da zona sul, onde ele morava. Era totalmente desconhecido.
– Ei, moço, o senhor pode me informar que linha é essa? Acho que peguei o ônibus errado – Perguntou ao passageiro que estava sentado ao seu lado.
– É o 1334. Agora me deixa dormir que tive um dia terrível, pivete – respondeu o homem com pouca atenção.
Pronto, agora ele sabia que era o 1334 , mas que diabo é 1334? Custava falar o bairro? Pensava, mas não falava, ficara com medo e um pouco de vergonha. Levantou-se, resolveu que desceria do ônibus. Mas não poderia ser por agora, a estrada deserta ainda não acabara. Deslocou-se até mais ou menos o meio do ônibus quando perguntou a uma passageira com uma aparência mais serena.
– Boa noite moça, você poderia me dizer pra onde esse ônibus tá indo? Peguei por engano.
– Esse vai pro Morro do Gato, mas é melhor descer na Faixa de Gaza porque essa hora o morro ta escuro e na Faixa tem um pessoal ali do movimento fazendo a segurança– respondeu e alertou, a moça.
Essas palavras foram suficientes para que suas pernas começassem a tremer. Um lugar chamado Faixa de Gaza não passa nenhuma segurança. Pior ainda é saber que existe lugar mais perigoso. Pior ainda outra vez é saber que estava indo parar nesse lugar.
A paisagem começa a mudar, começam a aparecer casas no lugar das árvores. Enfim ele estava de volta na civilização. Eram casas humildes, mas eram casas. Deu alguns empurrões, pisou em alguns pés, encoxou algumas gordinhas sem querer e, finalmente, chegou até a porta, essa era a hora de descer. Mas antes resolveu fazer uma pergunta ao motorista.
– Êa piloto, que lugar é esse aqui, hein parceiro?
– Rapá, aí é a Palestina... Cuidado aê com essa prata, viu... Os meninos tão querendo fazer o dia das crianças, sabe como é né... – respondeu o motorista com um sorriso maldoso nos lábios.
Nem precisava avisar. Só em ouvir “Palestina”, ele sabia que corria perigo. Mas não tinha jeito. Palestina, Faixa de Gaza ou Morro do Gato, ele uma hora teria que descer do ônibus. Então desceu ali na Palestina mesmo. Com uma rapidez que nunca tivera tirou o mp3, corrente e brinco. Foi colocando cada um em uma parte. O mp3 como era maior ficou preso na cueca, não dentro, preso mesmo. Os brincos, colocou em um dos bolsos, eram pequenos, não faziam volume. A corrente ele deu um jeito e colocou na meia. Merda. O Tênis. Não dá pra esconder o tênis. Por sorte era um Nike preto, não chamaria a atenção pela cor, porém aquela “vírgula” do lado é bem generosa e atrai ladrão.
Saiu andando procurando um ponto. Algumas pessoas passavam voltando para casa. Perguntou onde teria um ponto. Perguntou se tinha algum ônibus direto para zona sul. Enfim, o que pudesse ajudar. Como era esperado não tinha ônibus direto. Porém tinha um ponto na frente do bar.
Antes de ir ao ponto, passou no bar, depois de tanto pânico merecia ao menos uma latinha. Entrou. Pediu. Pagou. Bebeu. Foi até o ponto com todo o medo que alguém pode sentir. Não tinha ônibus direto, mas ele tinha um plano B. Um plano bem simples, pegar Lapa. Em qualquer lugar passa Lapa. Por sorte não demorou a passar, subiu no primeiro que passou. Foi até a Lapa, pegou seu ônibus de volta para casa ciente de que tinha tido um péssimo dia, mas uma grande história.
Ao encontrar um amigo no caminho de casa, logo foi contando-lhe desde o princípio.
– Então parceiro, sabe aqueles dias em que tudo dá certo? Pois é, não foi esse...
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Inverno? Verão? Hã?
De manhã cedo geralmente é inverno, bem chuvoso. A primeira preocupação é conseguir sair da cama. Chuva dá sono. Em seguida vem as preocupações mais sérias: ônibus lotado,janelas fechadas, desodorantes vencidos, engarrafamento quilométrico e os barrancos de Salvador deslizando. Esses últimos por sinal são bem interessantes, todo ano chove e todo ano "derretem". Em 460 anos de história não é possível que ainda exista tanto morro em Salvador. Destruí-los deve ser o objetivo de São Pedro. Depois dessa reflexão sobre o caos que a cidade ficará vem a parte das roupas. Tempo frio é mais aconselhável que se ande com mais roupa, mais agasalhos, enfim muito mais vestido.
No meio da manhã, lá pelas nove horas, o tempo muda completamente. As nuvens cinza dão lugar a um céu azul e um sol forte. Nessa hora o ódio já está presente em nossos corações. Casacos pesados já não tem mais utilidades, e o pior, atrapalham. Um calor insuportável, um verdadeiro verão. Daqueles que fazem os professores levarem Filtro Solar do Pedro Bial para os alunos da quinta série. A praia chama, mas com calça, agasalho e tênis não dá mesmo. Esse "verão" dura mais ou menos até as 17 horas. Às vezes acontece um "inverno" intercalado nesse meio tempo, mas é mais difícil.
No final do dia o inverno volta com força total. Ventos fortes e frios, céu cheio de nuvens cinza e muita chuva. Engraçado que sempre chove na hora de sair de casa e voltar para casa. Parece-me algum complô divino contra as pessoas que usam o transporte coletivo.
Fica aí a dica para Deus, São Pedro ou qualquer outra diretoria que cuide do clima de Salvador. Vamos manter a coerência aí né pessoal. Não é muito legal sair todo vestido num calorão nem sair com pouca roupa num frio de matar. Ah, nem venham colocar a culpa no aquecimento global, essa ideia de colocar a culpa nos outros é coisa dos homens. Se continuar assim vai haver um surto de choque térmico.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Entrar é fácil...

Meu ponto tá chegando. O buzu já está subindo a ladeira. Está perto. Ônibus cheio, terei que levantar mais cedo, caso contrário posso passar do ponto. Passar do ponto é perigoso, o caminho é mais longo e mais escuro. Se eu levantar agora, chegarei lá na frente na hora de descer. Mas se o buzu não estiver cheio como aparenta? Daqui do fundo não dá para ter certeza. Sentar no fundo é ruim por isso. Às vezes o buzu não está completamente cheio, mas daqui do fundo parece que está. Se eu levantar e não estiver cheio, ficarei em pé até chegar no ponto. Ficar em pé não é legal.
Eu sempre me arrependo de sentar nas cadeiras do fundo, mas sempre são elas que estão vazias na janela. Sentar do lado da janela é legal, dá pra ver o mar...ahh, mar é o caralho, eu quero é chegar em casa. Sentar no fundo não ajuda em nada, só atrapalha. Bem, quer dizer, nem tudo é ruim. Nas últimas cadeiras não é preciso aguentar mochilas, bolsas, sacolas e qualquer outra merda sendo empurrada em cima de mim quando alguém tenta desbravar o corredor. É tem seu lado bom. Mas na hora de descer atrapalha, que dilema. A única certeza que eu tenho, é que as cadeiras do fundo foram feitas para quem desce no fim de linha. Não posso ficar pensando muito. Tenho que decidir se levanto ou não.
Sinal vermelho no final da ladeira. Essa é minha deixa,levanto agora, com alguns empurrões seguidos de um falso "licença" e alguns pisões, eu consigo descer. Ahh, mas e se não estiver cheio de verdade? Ah, foda-se, se eu pensar demais eu vou morar nessa porra. Às vezes da vontade de descer pela janela, estilo Velocidade Máxima. Mas não é lá das ideias mais inteligentes, estou sentado do lado da pista, se eu pular, conseguirei um atropelo no mínimo. E convenhamos, alguém que desce do ônibus pela janela merece ser atropelado. Por uma carreta, no mínimo. Ehh, estou decidido, vou levantar agora.
Essa é a pior parte. Ajeito a mochila, pego o classificador, faço cara de mau e vou pra guerra. Minha primeira missão é me equilibrar até conseguir, com a mão esquerda, segurar naquelas barrinhas de cima. Não é muito difícil de vencer essa etapa, mesmo com apenas uma das mãos. Em seguida é pedir licença para aquelas pessoas que congestionam aquele pequeno corredor que liga o meio ao final do ônibus. Essa parte também não é tão difícil, mas é bem inconfortável. Passado das duas primeiras etapas, chego na pior parte, passar por aquela multidão que bloqueia o corredor. Eu me pergunto várias vezes como eles conseguem aquilo, é fisicamente impossível, não cabe tanta gente em um ônibus só. Começo minha investida. Peço licença, piso em alguns pés, peço desculpa. Empurro algumas pessoas (Infelizmente "licença" não abre passagem, dá próxima vez tentarei "abra-te sésamo"), antes pedindo licença e depois desculpa. Um imprevisto..o ônibus tem aquela porta do meio, ou seja, exatamente no meio do buzu a barrinha fica mais alta, mais um trabalho. Chego no meio, empurro, piso no pé, caio em cima e já nem peço mais desculpa, faço tudo isso com cara de mau. Nem tenho mais cara de pau para pedir desculpas, nem quero arriscar ser agredido por ninguém. O terror já está chegando ao final, é só mais alguns empurrões, e chegar na frente. Lá, geralmente, tem pessoas, mais inteligentes, que sentaram na frente e descerão no mesmo ponto. Agora é relaxar e gozar porque amanhã tem mais, nesse mesmo buzu e nesse mesmo horário, para fazer inveja até a Chaves.
terça-feira, 28 de julho de 2009
O que um torcedor precisa saber
Pegando o gancho do outro texto, resolvi fazer uma listinha com 10 itens para facilitar a vida dos novos torcedores.
O que um torcedor precisa saber:
1- Quem vive de passado é museu, e quem vive de presente é Yemanjá (Isso quer dizer que se seu time tem um passado glorioso, refute o presente, se ele tem um presente glorioso, ignore o passado);
2- A imprensa está sempre contra seu time (Nunca, em hipótese alguma, você deve achar que algum programa está favorecendo seu time, se estão falando bem é para ocultar os erros, se estão falando mal, é para tumultuar o ambiente);
3- Sempre que seu time perder, saia do estádio falando que não volta mais lá;
4- No jogo seguinte ignore o item três;
5- Se o juiz errar a favor de seu time, é normal, ele é humano. Se errar contra seu time, é um safado, ladrão, descarado, máfia do apito etc;
6- Árbitro (homem) é sempre filho da put*, se for mulher é put* (poupe a mãe dela);
7- A culpa é sempre do juiz;
8- Torne épicas todas as conquistas de seu time;
9- Desmereça todas as conquistas de seu rival;
10- Clássico é clássico, e vice-versa.
Algumas podem ter saído forçada, mas é basicamente isso. Quem torce por algum time tem que saber isso.
;D
O Futebol e a Torcida

Bendito seja quem inventou o futebol. Talvez não exista nada mais sociável do que uma partida de futebol. Eu, que sempre fui muito tímido, sempre me enturmava nos colégios e ruas novas graças ao futebol. Dentro de campo todo mundo se conhece, a linguagem do futebol é universal. Dei várias voltas falando do futebol, mas o que eu quero falar mesmo, não é do futebol em si, mas sim da torcida. Se o cara que inventou o futebol merece ir pro céu, o que inventou a torcida merece 40 virgens e uma casa na Barra.
Pode parecer estranho, mas torcer por um time de futebol, muitas vezes é melhor do que o próprio ato de jogar futebol. Primeiro, para torcer você não precisa saber jogar, basta sentir o futebol, a emoção de um triunfo e o sofrimento de uma derrota. Segundo, para torcer, nem ao menos entender você precisa, basta saber o que é gol, quando é gol e que a culpa é sempre do juiz. Pra finalizar, torcer é melhor porque a culpa nunca será sua.
Torcer é muito bom. Times não é um conjunto de jogadores, é uma Nação. Camisa não é um vestuário, é um manto sagrado. Cores não são simples cores, são as cores do seu sangue. O estádio não é uma praça esportiva, é um templo sagrado. Torcedor, não é torcedor, é um fiel. Para torcer você precisa apenas sentir o futebol. Sentir a paixão correr em suas veias. É ficar feliz a cada triunfo. É ter seu final de semana estragado por causa de uma derrota. É zuar o rival. É ser zuado. Torcer é a verdadeira graça do futebol.
Ah, também não se pode esquecer uma coisa. Torcer por um time de futebol, implica em odiar outro. Não precisa saber o porquê, apenas odeie. Essa é a única função da existência dele. Você também ficará feliz quando ele perder. Sempre que seu time perder, você tem que torcer pela derrota do seu rival, é a única maneira conhecida até hoje de salvar seu final de semana e também a sua segunda-feira.
Torcer é isso, é amar, é odiar, é esperar horas na fila por ingresso, é xingar, é prometer nunca mais voltar no estádio, é não cumprir esse tipo de promessa etc. Enfim torcer é muito melhor do que jogar.
