quinta-feira, 25 de março de 2010

Reflexões no buzu


Não é preciso conhecer-me pessoalmente para saber que odeio ônibus. Alguns posts passados já devem ter deixado isso claro. Os ônibus, em sua maioria, estão caindo aos pedaços, vivem lotados e os motoristas parecem ter feito moto-escola. Isso por sinal é super interessante, prometo que farei um post sobre isso algum dia. Motoristas de ônibus são motoqueiros com quatro rodas. Mas o que quero falar aqui, não é contra os buzus de cada dia. Hoje, resolvi abrir uma exceção. Falarei bem deles.

Pegar ônibus é uma tarefa estressante, isso ninguém tem dúvida, mas pode ser produtivo. É no buzu que produzo a maioria de meus posts. É lá que penso cada besteira que escrevo aqui. É nele que reflito sobre a vida, sobre o Bahia, sobre a faculdade, sobre tudo. Se eu escrevesse cada ideia que tenho dentro de um ônibus, o blog teria, facilmente, o dobro de posts. Ficar quase uma hora num ônibus pode ser estressante. Mas é também de uma ajuda cultural inimaginável. Não agüentaria ficar sentado numa cadeira desconfortável, com uma pessoa “querendo” dormir em meu ombro, com pessoas em pé quase caindo em cima de mim, se não pudesse divagar sobre os mais diversos assuntos. Tancredo Neves é meu “muso” inspirador.

Em muitas de minhas viagens diárias, já aprendi muitas coisas. Filosofando e refletindo, aprendi que ônibus é que nem coração de mãe. Aprendi que em todo ponto há alguém que more em Tancredo Neves. Aprendi que nunca se deve ir ao mercado e voltar de ônibus (uma pena que exista gente que não aprendeu isso). Aprendi que não importa se acabou de passar um Tancredo Neves, se passar outro dois minutos depois, terá, no mínimo, cinco pessoas para subir nele. Aprendi que no ônibus supracitado não se pode entrar mais que duas mulheres bonitas e aprendi também que elas devem descer no Cabula.

Pegando ônibus, também descobri que o maior sonho de minha vida é ter um carro (com uma sirene se possível), comecei a dar valor ao ar-condicionado, descobri que se eu pudesse ter um super poder, escolheria “passar por dentro das pessoas” (tipo raio-x, saca?), descobri como transformar 20 minutos em 60, descobri que odeio a rótula do Abacaxi, a Av. ACM, a Bonocô e a Vasco da Gama, e pra finalizar, descobri que se eu viajar demais, não vou conseguir descer no resgate.

É isso aí, o velho buzu de cada dia é foda. Mas também dá para fazer várias reflexões. Qualquer dia desses, reflito sobre assuntos da faculdade, Saussure vai virar o primo distante da lingüística. É um caso de amor e ódio. Mais ódio que amor, muito mais ódio.