segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Vladimir

Vladimir acabara de acordar num galpão. Não reconhecia aquele lugar. Não fazia idéia de como havia chegado ali. Ele estava desnorteado, precisava de ajuda. Pôs a mão no bolso para pegar seu celular e ligar para algum amigo. Não o encontrou. Pior, percebeu que estava com uma roupa estranha, parecia do BOPE ou da SWAT. Definitivamente, era uma roupa de alguma força policial. Em sua cintura, havia um coldre com uma pistola. Pegou-a e reconheceu-a, era uma Universal Self-Loading Pistol também conhecida por USP. Assustou-se, mas não por ter uma arma, e sim por reconhecê-la. Vladimir estava cada vez mais confuso, ouviu um chiado vindo de seu bolso de trás, era um rádio. Pegou-o e colocou-o perto do ouvido, alguém repetia desesperadamente:

- Need backup! Need Backup!

Em seguida ouviu sons de tiro e um grito. Aquele dia estava ficando cada vez mais estranho. Agora, era Vladimir quem estava desesperado. Havia acordado em um lugar estranho, com uma roupa estranha, uma pistola, um rádio e, agora, um morto. Aquilo só poderia ser um pesadelo.

Resolveu, então, que deveria sair dali. Caminhou em direção à saída direita do Galpão, havia uma pequena ladeira e mais a frente tinha algo que parecia um trilho de trem. Subiu um pouco e confirmou, era um trilho e mais a frente havia trens sobre eles. Andou mais para perto quando viu, a cerca de 50 metros, três homens com uma touca que cobria o rosto vindo em sua direção. O medo tomou conta de seu corpo, não sabia o que fazer. Os homens traziam consigo verdadeiros arsenais de guerra, Vladimir tinha apenas uma pistola. Não esperou tempo ruim e pôs-se a correr. Voltou para o galpão e foi para a saída da esquerda. Não era uma saída, ele estava entrando mais no galpão. Chegou a um lugar onde havia mais dois trens. Meio confuso, continuou correndo quando o rádio começou a chiar outra vez, dessa vez a voz dizia:

- Enemy spotted, enemy spotted!

Tiros. Silêncio. Coração a mil. Vladimir continuou correndo, subiu outra pequena rampa e deparou-se com um rifle de assalto e um kit no chão. Aquilo estava cada vez mais estranho. Se não fosse tão real, diria que era um jogo. Não sabia como manejar, mas pegou aquela arma e o kit e continuou em frente. Chegou a um corredor onde havia caixas colocadas estrategicamente nos dois lados. No fim do corredor, havia uma escada. Subiu a escada e continuou em frente, mas dessa vez andando. Evitava fazer barulho. Chegou ao fim do galpão. Havia outra escada, desceu-a e continuou em silêncio. Chegou a um lugar aberto com algumas caixas e grades, havia também um caminhão estacionado. Tentou entrar nele, mas sem sucesso. Decidiu, então, seguir em frente quando se deparou com um daqueles caras de touca. Ele carregava uma Glock 18 e se preparava para atirar, Vladimir assustado descarregou todo o pente do rifle no sujeito que foi ao solo já morto. Por algum motivo ele não teve remorso, não se sentiu mal, era uma questão de sobrevivência, ou ele, ou eu.

Seguiu em frente, passou por uma lixeira grande e fedida onde havia três corpos crivados de bala. Dois usavam roupas iguais as suas e um vestia uma camisa preta e a touca na face. Seguiu até se deparar com outro corredor. Também tinham algumas caixas colocadas em cada lado do corredor. Abaixou-se e foi até uma das caixas. Ouviu passos e se escondeu. Os passos aproximavam-se, Vladimir estava aflito. De repente, aparece um sujeito vestido igual aos outros, Vladimir não pensa duas vezes e dispara contra o indivíduo que cai morto no chão deixando cair uma granada. Vladmir pega-a e arremessa contra os outros dois inimigos que vinham em sua direção. Certeiro. A explosão faz com que os agressores voem por cima de si. Ele se sentia mais calmo, mais seguro, mais confiante, mas não sentia que já tinha acabado. Talvez porque ouvia um “beep” vindo de onde estavam os inimigos. Invade a área onde seus agressores estavam e percebe que havia uma bomba armada. Não sabia o que fazer. Colocou a mão no coldre e pegou o kit que havia achado no chão mais cedo. Nele havia escrito “Defusal kit”. Nada mais oportuno. Mas, ainda assim, não sabia o que fazer. Nunca desarmara uma bomba. Aproximou-se do artefato e não sabia o que fazer. No rádio, ouviu um ruído. Parecia tentar dizer algo. Não conseguia entender, só ouvia um “eeeee”. Não conseguia entender. Não via fios vermelhos, nem azuis. A contagem chegava ao fim, uma voz em sua cabeça começou a contar: dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois, um... Tudo foi pelos ares. A bomba explodiu. Vladimir havia chegado até ali, mas não havia sobrevivido. Ainda pôde ouvir antes de morrer uma voz vinda do céu:

- Terrorists win

Em seguida sentiu dois tapas no pescoço e ouviu uma voz falando:

- Porra! Vlad, você ta viajando, cara? CS é coisa séria, rapá, “cê” pega a porra do defuse e não desarma? Eu tava falando aqui: aperta “e”, você não me ouve, cara. Perdemos o round por besteira, cara. Todos já estavam mortos. Oh, não faz mais isso, e vê se aprende a usar o rádio. 

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Meu recesso da copa, enfim, acabou. É bom voltar e relembrando os velhos tempos. Sempre quis escrever algo relacionado ao CS. Quase uma missão explicar para o mundo que CS não é só matar, é o mais divertido, mas não é só isso. 

;)