quarta-feira, 20 de abril de 2011

Bairros

Quando se fala em baianos, logo se fala em criatividade. Baiano se acha criativo, até porque, de fato, é criativo. Não imagino em que outro lugar do planeta o Pingüim atiraria criptonita contra o Super-homem. Também não consigo ver outra região do mundo transformar uma simples pergunta como “está com sede?” em música. Somos criativos também no futebol, as duas maiores organizadas do estado, Bamor e Os Imbatíveis, fugiram dos tradicionais Fúria, Jovem, Força, Fiel, Terror e Mancha. Na literatura também somos criativos, não precisa nem comentar Jorge Amado ou João Ubaldo. Em um assunto, porém, não somos nada criativos. Criar nomes de bairros.

Há quatro maneiras de se criar um nome de bairro em Salvador. A primeira é, logicamente, criar um nome qualquer. Na verdade não precisa criar, de fato, basta nomear o bairro, chamá-lo por algum nome já existente. Temos, por exemplo, brotas, ondina, etc. Hoje em dia, pouco produtiva. A segunda maneira, também não muito produtiva, mas mais utilizada que a primeira é adjungir a palavra “nova” antes do nome e usar o mesmo nome do bairro mais próximo, servindo, assim, quase como um prefixo. Temos, por exemplo, “nova-Sussuarana” (sim, com dois “s”), “novo-arvoredo” e está para surgir o “novo-Cabula”. A terceira maneira também se vale da adjunção de uma palavra a um nome de bairro próximo, a bola da vez é a palavra “alto” seguida da preposição “de”. Criando-se, assim, o “alto do cabrito”, “alto das pombas”, “alto do coqueirinho”, “alto da mangueira”, etc. Curiosamente, essa forma costuma criar bairros pouco acolhedores. Tenho a leve desconfiança que o “alto” vem de “altamente periculoso”. A última maneira, mais produtiva que as anteriores, é tratar os bairros como filhos de reis, ou seja, colocar complementos como 1, 2, 3, etc depois do nome. Temos como exemplo, Cabula 1 a 7, Cajazeiras 1 a 250, Fazenda Grande 1 a não sei, etc.

O que atrapalha bastante nessa falta de criatividade é mesmo saber onde fica cada bairro desses. Já ouvi falar, por exemplo, que cajazeiras não segue uma ordem linear, ou seja, o 2 não vem depois do 1, o 3 não vem depois do 2, etc. O Cabula existe do 1 ao 7, mas todos sabem, somente, onde fica o 6. Há quem diga que sabe onde fica o 4 e o 5. Há quem diga que o 7 fica perto de Tancredo Neves, mas ninguém sabe onde fica o 1, o 2 e o 3. Desconfio que, quando descobrir onde fica os 7 cabulas, Shenglong vai aparecer e me concender 3 desejos.

Chego à conclusão, então, que temos problemas em nomear bairros. Mudemos, baianos, é, no mínimo, engraçado ver um ônibus “Fazenda Grande 3/4/5” ou ver pessoas falando que vão pegar “Cabula vi”. Mudemos.
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Só para o blog não ficar parado